Revista de Medicina Desportiva

Ano 14 | Nº05 – SETEMBRO 2023

Entrevista: Dr. Jorge Crespo
Recordar com Carinho: Dr. Nuno Campos
FMUP: Resumos e comentários
Caso Clínico: Síndrome de Parsonage Turner em Nadadora de Elite
Tema 1: Biomecânica e Traumatologia do Beisebol
Tema 2: A doença de Parkinson e o Momento da Fisioterapia
Tema 3: Síndrome do Espaço Sub-glúteo
Resumo: 2020 ESC Guidelines on sports cardiology and exercise in patients with cardiovascular disease
Resumo de Congresso: II Jornadas de Medicina do Exercício e Desporto da FMUP

EDITORIAL

Dr. Basil Ribeiro

Linha Única

A lei é para se cumprir. Ninguém a pode ignorar, … A Lei (Lei nº 119/99 de 11 de agosto), para além de obrigar à responsabilidade de um médico especialista em medicina desportiva (MD), pretendia ser um motor para o desenvolvimento da especialidade de MD, pois a carência obrigaria à formação de novos especialistas para que a lei fosse cumprida (artigo 3º, ponto 3). Não terá tido esse efeito, foi esquecida ou ignorada durante 24 anos (!), … a lei é para ser cumprida, mas tremendamente injusta para os que são, para os que querem ser médicos de uma equipa profissional, de futebol ou de outra modalidade desportiva. Há médicos que trabalham há dezenas de anos em clubes, alguns graciosamente, sempre foram competentes enquanto clínicos, … há jovens médicos que já trabalham em clubes, são ambiciosos, aplicados e bem formados, receiam agora serem “corridos” da paixão que lhes alimenta a vida. … não me parece que seja justa para os atuais médicos do futebol: mude-se a lei, adapte-se a lei, crie-se um período de transição. … penso que a pós-graduação é uma boa credenciação e suficiente para tranquilizar os médicos dos clubes que cumpram este quesito. Liderar não é apenas velejar ao sabor do vento, é também lutar contra a adversidade normal do mar, justa porque é a sua intimidade que se manifesta, para que todos os barcos que nele navegam se sintam protegidos e possam expandir as suas ambições sem a sombra de discursos de circunstância, de colagens oportunas e de expetativas goradas. Não é só esta lei que deve mudar.

Dr. Basil Ribeiro, Diretor

DESTAQUES

RMD ANO 14 | Nº5

ENTREVISTA

Dr. Jorge Crespo

Diretor e editor do ÍndexRMP, Médico Internista (AH Graduado Sénior CHUC)

“…O ÍndexRMP é a única base de dados que reúne todas as publicações médicas ou de áreas relacionadas com a saúde, editadas em Portugal desde 1992. Nenhuma lá falta de qualquer especialidade médica ou área afim. Todas as semanas acrescentamos artigos, quer por via de importação direta dos seus metadados, quer por transposição dos dados dos seus PDFs, quer ainda por scan das revistas que nos chegam apenas em papel…. Desde 1992, data do início desta coletânea, temos introduzidas mais de 200 revistas. … A Revista de Medicina Desportiva Informa é a única desta especialidade que atualmente se publica em Portugal. Temo-la incluída desde o seu primeiríssimo número de 2010. No passado esta especialidade contou já com outras revistas, entretanto desaparecidas, das quais destaco a Revista Portuguesa de Medicina Desportiva, nascida pela mão entusiasta do Dr. Manuel Martins em 1982. O que eu não compreendo é que a importante Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva (SPMD) não disponha de uma revista própria como é apanágio das mais diversas sociedades médicas nacionais, assumindo-a como órgão de divulgação dos temas em destaque na sua área e do bom trabalho dos seus associados…. Deixo aqui este desafio à direção da SPMD e ao corpo editorial da Revista Medicina Desportiva informa…”

TEMA

Biomecânica e Traumatologia do Beisebol

Dr. João Pires, Dr. Ricardo Dias, Dr. Gonçalo Fernandes, Dr. João Mendes, Dr. Diogo Lino Moura

The first references to a sport like what would become baseball were in England, in the 19th century. XVIII, but it was in the United States of America that it became truly popular and a reference sport. The growing popularity of this sport around the world, particularly in the United States of America, but also in Portugal, is also being accompanied by a growing rate of injuries resulting from this sport. Throwing, a key element in baseball, encompasses an extremely well-coordinated kinetic chain and it is demanding at a biomechanical level, reaching extreme medial and lateral rotations on the shoulder, reaching very high launch speeds, in the order of 160 km/h. Most injuries occur in the upper limbs, the most common being ruptures of the glenoid labrum and shoulder rotator cuff and injuries to the ulnar collateral ligament of the elbow. Knowledge of the prevalence, type and biomechanical origin of injuries associated with baseball allows identifying preventive strategies, as well as learning a more correct throwing technique at a biomechanical and physiological level.

RESUMO DE CONGRESSO

II Jornadas de Medicina do Exercício e Desporto da FMUP

Dr. Hugo Almeida, Ricardo Maia, Ft. Rui Pedro Reis, André Vilela Brito, Dra. Sofia Pinto, Dr. Rui Martins da Silva, Dr. Paulo Araújo

Recordar com carinho

Dr. Nuno Campos, Pombal

Medicina é vida…Tenho uma vida ligada ao desporto. São 53 anos ininterruptos ligados à vida desportiva, desde os 13 anos de idade até hoje, e ainda contínuo relacionado com o desporto, pese embora com funções diferentes. Fui jogador, jogador-treinador, treinador, dirigente desportivo e médico. Com tanto tempo ligado ao desporto, são vários os momentos que se tornam inesquecíveis. Refiro a minha carreira de jogador ao serviço da Académica de Coimbra, onde conquistei vários títulos e onde destaco os 332 jogos oficiais sem qualquer castigo. Aproveito a oportunidade para agradecer o todo o staff clínico (enfermeiros, fisioterapeutas e cozinheiros), os quais, sob a minha coordenação na FPF, foram de uma dedicação e competência extrema, formando uma verdadeira família…. No entanto, de tudo o que vivi, realço as viagens da Academia de Alcochete para qualquer estádio no Euro 2004. Foram momentos únicos, de uma alegria contagiante e vibrante que ficarão para sempre na minha memória.
Dê um conselho aos jovens médicos …. Deverão exercer Medicina com toda a dedicação tendo em mente que o único objetivo é o bem-estar do utente.

TEMA

A doença de Parkinson e o Momento da Fisioterapia

Dr. Basil Ribeiro

Parkinson’s disease causes motor problems, causing changes on gait, with consequent mobility disturbance and frequent falls. Drug therapy helps to control symptoms, but physical activity has an important functional therapeutic role. Physiotherapy has been very useful for personal and social benefit of these patients. This text presents the results of a study carried out with these patients, in which the timing and frequency of physical therapy sessions were studied. The results revealed long-term advantages in continuous physical therapy, even if the sessions are performed every two weeks.

TEMA

Síndrome do Espaço Sub-glúteo

Dr. Tiago Pato, Dr. Daniel Saraiva, Dr. André Sá Rodrigues, Dr. Marco Sousa, Dr. José Tulha

The deep gluteal syndrome is characterized by pain in the posterior hip and/or groin area, associated or not with pseudosciatica, resulting from an extrapelvic compression of the sciatic nerve in the deep gluteal space. An appropriate knowledge of the clinical presentation, physical examination, and interpretation of complementary exams is essential not only to diagnose, but to understand the cause of the compression and provide an individualized treatment. The authors present a systematic review of the most recent literature on this syndrome, focusing on its anatomy, pathophysiology, clinical assessment, and available treatments.

RESUMO E COMENTÁRIO

Muscle-strengthening Exercise Epidemiology: a New Frontier in Chronic Disease Prevention1

Dra. Carolina Paiva, Dra. Sandra Assunção

Effectiveness of physical activity interventions for improving depression, anxiety and distress: an overview of systematic reviews1

Dra. Marisa Rodrigues, Dr. David Moura

CASO CLÍNICO

Síndrome de Parsonage Turner em Nadadora de Elite

Dr. Rui Martins da Silva, Dr.ª Adriana Pereira, Dr.ª Raquel Branco, Ft. Joana Carvalho, Dr. Paulo Araújo

Parsonage-Turner syndrome (PTS) is a rare disorder characterized by sudden shoulder pain followed by neurologic deficits. The exact aetiology remains unclear, although a genetic predisposition is suspected in association with a trigger. The diagnosis is made clinically, supported by electrodiagnostic and imaging studies. There is no specific treatment, and the prognosis is generally favourable. This case-report relates to an 18-year-old competitive swimmer who developed left shoulder pain after a flu-like illness, resulting in a deficit of muscle strength and sensitivity. She was diagnosed at PTS and treated with corticosteroids and an individualized rehabilitation program, resulting in resolution of the condition within 6 months. Early diagnosis and treatment are important to prevent long-term sequelae and allow a quicker return to sports activities.

RESUMO

“2020 ESC Guidelines on Sports Cardiology and exercise in patients with cardiovascular disease” – Miocardite e miopericardite

Dr. Basil Ribeiro

… As recomendações para o exercício da ESC são claras: o atleta com diagnóstico provável ou definitivo de miocardite recente não se deve envolver em desporto competitivo ou de lazer enquanto durar a inflamação, independentemente da idade, sexo ou dimensão da disfunção ventricular. A duração da abstinência desportiva é variável, difícil de calcular inicialmente, mas, de acordo com a ESC e a American Heart Association, o período varia entre 3 e 6 meses para desporto de intensidade moderada e elevada. A ressonância cardíaca pode ajudar na decisão do retorno ao desporto. Contudo, o regresso só pode ocorrer após a avaliação clínica exaustiva que determine o risco de MSC. … No seguimento do atleta deve haver a determinação da troponina e dos marcadores de inflamação, a realização de eco e de eletrocardiograma e, naqueles sem sinais de inflamação, a realização da prova de esforço. Só os atletas assintomáticos, com valores de troponina e marcadores inflamatórios normais, função sistólica normal, boa capacidade funcional e ausência de arritmias complexas no esforço na monitorização eletrocardiográfica (Holter durante 48h e prova de esforço) poderão voltar às atividades desportivas. Nas recomendações refere-se que o exercício deve ser evitado no período de pericardite ativa e s. devem voltar ao desporto após a resolução por completo da doença. Nos casos ligeiros, tal ocorre em cerca de 30 dias, mas, nos casos graves, tal poderá acontecer apenas após 3 meses. Entretanto, os atletas assintomáticos, mesmo com pequeno derrame pericárdico detetado no ecocardiograma, podem participar no deporto, mas devem continuar a ser monitorizados…

PUB

TEMA DA SEMANA

Dutch multidisciplinary guideline on Achilles tendinopathy

PUB

IOC FRAMEWORK ON FAIRNESS, INCLUSION AND NON-DISCRIMINATION ON THE BASIS OF GENDER IDENTITY AND SEX VARIATIONS

PUB

PUB

PARCEIROS

Revista de Medicina Desportiva